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An Average Amount of Luck
 


Começaram as aulas. Eu saí de São José pesando 25 quilos a mais, pensando porque fui me enfiar num negócios desses. Fiquei pensando que é muito pra mim, que pode ser que eu não dê conta, que talvez eu enlouqueça. Fiquei pensando que não sei andar de ônibus nem em São José - quando foi que eu achei que daria conta de fazer isso em São Paulo? Fui preocupada. Não sabia direito como ia chegar lá, sabia menos ainda o que estava indo fazer lá. Mas eu tenho em mim essa coisa teimosa de obrigação - eu assinei a lista, alguém se interessou pelo meu projeto, uma gama de professores ficou feliz porque eu consegui entrar no mestrado mais concorrido do país (sem contar qualquer orgulho por parte dos meus cosanguíneos). Percebi que, de uma maneira geral, abandonar seria uma covardia maior do que a minha covardia inata poderia abraçar. Covardia demais, finalmente.

As pessoas são estranhas. Algumas nem cumprimentam, as outras me param no corredor para perguntar se sou eu que sou orientanda do Agnaldo, se sou eu que estou mexendo com Literatura, que o projeto é muito legal, que o projeto é muito complexo, se eu já li Vicente Del Rio ou a Arquitetura da Felicidade. Tem gente que não pergunta nada, mas diz "que calor" e pega um copo d'água. Aos poucos, talvez, eu pegue o rítmo. Os professores são mais sérios dos que os meus, mas eu simpatizo com eles. Quase todos, pelo menos. A verdade é que a coisa toda me assusta um pouco, ainda, e simpatia e medo são sentimentos um tanto díspares.

 

Fui almoçar na padaria do Benjamin Abrahão - o sonho da minha mãe. Ir comer na padaria do Benjamin Abrahão. E agora ela fica a menos de 500 metros da faculdade. Queria poder chegar em casa e contar pra ela que os pães são todos lindos, tem um cheiro delicioso e algumas coisas nem são tão caras, assim. Também queria contar que um dos professores me indicou um livro logo na primeira aula, sem nunca ter me visto, só por causa do meu tema. E que todo mundo já ouviu falar do meu orientador e vem me perguntar como foi que eu acabei sendo orientanda dele. No final, acabo me sentindo a Ana sortuda do outro blog, com um grande tropeço nessa sorte. É. Talvez isso resuma bem. E talvez seja muito pra mim e eu não dê conta, ou não atinja as expectativas - deles e minhas, mas estou disposta a tentar. No final, eu continuo a cabeça-dura de sempre. =)



Escrito por Ana às 09h20
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